História
Ídolos


As informações citadas abaixo foram retiradas do livro "Rio Branco Atlético Clube - Histórias e Conquistas (1913 a 1987)", do jornalista e torcedor capa-preta Oscar Gomes Filho.


Alcy Simões - O maior craque capixaba de todos os tempos.

Alcy tinha os apelidos de Lourinho, Russinho e Maravilha Dourada. No Rio Branco, marcou 213 gols em 255 partidas, com a incrível média de 0,84 gols por jogo. Uma marca impressionante. Alcy era um craque, daqueles que podia brilhar em qualquer campo. Tanto podia brilhar em qualquer campo ou time que, em 07 de Julho de 1939, jornais do Rio de Janeiro anunciavam interesse do Flamengo em contratá-lo. O clube carioca, diziam, queria formar o melhor trio atacante do país, com Gonzales, Leônidas e Alcy.

O capixaba negou-se a ir, pois, além de já ser funcionário público estadual no Instituto Agrícola de Maruípe, sua esposa, Dona Carmem, era professora e não demonstrava qualquer interesse em deixar Jucutuquara.

Em 13 de Dezembro de 1947, após ganhar o tricampeonato, Alcy anunciou que abandonaria definitivamente o futebol. No que noticiou o jornal A Gazeta: "maior craque que o Espírito Santo conheceu; várias vezes revogou sua decisão, em virtude dos constantes assédios dos admiradores; agora o "Velho" diz que vai mesmo sair; mesmo na época do profissionalismo, quando polpudas somas eram oferecidas aos nossos craques, Alcy mostrara-se indiferente às propostas que lhe eram feitas; isso porque estava preso pelo coração ao clube onde deu seus primeiros passos".

Na verdade, ainda 1948 e 1949, Alcy fez algumas partidas pelo clube, sempre as partidas decisivas. Na final do Estadual de 1949, contra o Comercial de Castelo, aos 36 anos, Alcy foi escalado para jogar 20 minutos e "ganhar mais um campeonato". O adversário endureceu e a decisão foi para duas prorrogações. Obstinado pela vitória, o craque permaneceu em campo. Até que, aos 138 minutos de jogo, já ofegante e atuando na ponta direita, executou a jogada do gol do título, driblando um adversário e centrando para Michel marcar. Encerrava-se, naquele momento, a mais brilhante carreira de um jogador de futebol do Espírito Santo.


Gilberto Paixão - O primeiro grande ídolo

Foi o maior jogador de sua época e um dos maiores de todos os tempos: cérebro e músculos trabalhando com notável perfeição e uma educação esportiva que comovia. Este era Gilberto Paixão do Nascimento, o Paixão.

Segundo os jornais da década de 50, Paixão "foi o primeiro grande ídolo do Rio Branco, comparado a Dida para o Flamengo, Didi para o Botafogo, Telê para o Fluminense e Di Stefano para os espanhóis. Artilheiro excepcional, cabeceador temível e que fazia gols magistrais, era o terror para os goleiros e para os adversários era sempre um pavor".

Tendo se juntado, logo, aos garotos fundadores do clube, Paixão fez sua primeira partida pelo time capa-preta em 24 de Setembro de 1916. Não demorou a se tornar uma atração à parte, tal a superioridade de seu futebol sobre os demais atletas, companheiros de clubes ou adversários. Ganhou fama e cartaz, reinou absoluto, em toda a década de 20, foi o ícone do futebol capixaba em seus primórdios, a mola-mestra do time capa-preta e da Seleção Capixaba.

Sagrou-se campeão pelo Rio Branco em 1918, 1919, 1921 e 1924, sendo sempre o maior goleador de 1917 a 1928, quando parou de vez com a bola (consta ter participado de mais um jogo, contra o Flamengo em 1929).

Com inteligência e dedicação acima da média e sendo um líder nato, sugeriu a troca das cores da bandeira do Rio Branco, as cores preto e branco do Sul América em lugar das cores verde e amarela. Dizem, que pesou também na decisão o fato do Botafogo ser alvinegro, uma vez que o próprio Paixão reconhecia que também torcia para o clube da Estrela Solitária no Rio de Janeiro.

Paixão também participou do quadro de dirigentes do clube. Conselheiro, membro participativo, ocupou os mais diversos cargos a partir de 1925, chegando a Presidente no biênio 1936/1938. Na inauguração do Estádio Governador Bley, era ele o dirigente máximo do Rio Branco. Sua morte, em 1958, causou comoção em Vitória. Seu sepultamento movimentou toda a cidade e o Rio Branco decretou luto oficial de sete dias.


Carlinhos Gabiru - Craque notável e dirigente apaixonado

Nascido em 1935, Carlos José Feliciano Martins, o Carlinhos Gabiru, foi um dos mais consagrados meias do futebol capixaba de todos os tempos. Com uma condição econômica acima da média dos demais jogadores e um autêntico espírito amador, Gabiru nunca ficava com os prêmios em dinheiro a que fazia juz nas conquistas do time. Dividia tudo entre os companheiros menos favorecidos e jamais exigiu do clube um centavo sequer para assinar contratos. Era inscrito na Federação como não-amador, apenas para cumprir as exigências da legislação esportiva.

Segundo maior goleador da história do time capa preta, ficando apenas atrás do legendário Alcy Simões marcando 133 gols em sua carreira com a camisa capa preta. Gabiru sagrou-se tri-campeão estadual em 1957/58/59 e bi-campeão em 1962-63.

Colaborador efetivo das administrações alvinegras, foi um dos primeiros a se filiar à Legião Capa Preta, uma organização criada em 1963, para dar suporte financeiro ao clube. Foi dele a doação de toda a madeira para a construção da "Choupana", no antigo Estádio Governador Bley, que marcou época na história do clube. Gabiru faleceu em 21 de Fevereiro de 2001, encoberto pela bandeira do clube que tanto amou e dignificou, dentro e fora das quatro linhas.


Outros Ídolos da História do Rio Branco


Reynaldo Ribeiro -
nascido em Cahoeiro de Itapemirim, descendente de negros, foi para o Rio Branco (após rápida passagem pelo América) por saber que o clube não fazia objeções ou distinguia pessoas pela cor, ideologias políticas ou religiosas. Era um "centro-médio" (quarto zagueiro) e foi considerado por muitos o melhor dos anos 20. Após encerrar a carreira de jogador, foi ainda técnico do Rio Branco e da Seleção Capixaba.

Parafuso - Vespasiano Meirelles, o Parafuso, nasceu em  13 de Janeiro de 1903, sendo primo do legendário Cavaleiro Capa Preta. Em função de grave contusão no joelho, jogou apenas entre 1925 e 1929, tempo suficiente para ser lembrado como um dos maiores jogadores do clube. E, logo após, um dos maiores abnegados das Diretorias do Clube. Em função de sua militância nos Sindicatos de Trabalhadores, onde era conhecido como Meirelinho, foi preso e torturado diversas vezes. Quando preso, dirigentes influentes do clube davam um jeito de solta-lo, para que pudesse defender o time capa preta.

(página em atualização - mais informações em breve)

 
Títulos

O Rio Branco é o maior ganhador de títulos do futebol capixaba. São 35 conquistas na 1ª Divisão e 1 conquista na 2ª Divisão. Também é o único clube capixaba que possui um Hexacampeonato (1934 a 1939). Vamos às conquistas:


Campeonato Estadual 1ª Divisão:

1918
1919
1921
1924
1929
1930
1934
1935
1936
1937
1938
1939
1941
1942
1945
1946
1947
1949
1951
1957
1958
1959
1962
1963
1966
1968
1969
1970
1971
1973
1975
1978
1982
1983
1985
2010


Campeonato Estadual 2ª Divisão:


2005


Outras Conquistas (Taças, Copas e Torneios)

Estatueta de Terracota em 1919
Taça Charitas e Taça Liga Esportiva Espíritosantense em 1921
Taça LSES em 1922
Taça Antônio Braconi em 1924
Taça Concordia 1925
Taça Oscar Barbosa em 1925
Taça Cláudio Daumas em 1930
Taça Redenção em 1931
Torneio Início em 1934
Troféu Bastos Padilha 1937
Taça Mascotte em 1937
Taça Alberto Silva em 1939
Taça Rio Branco em 1940
Taça Alfredo Sarlo em 1942
Troféu Comandante Corciul em 1943
Troféu Dr. Aristides Santos em 1946
Troféu João Carlos Vasconcelos em 1949
Torneio Quadrangular em 1951
Torneio Quadrangular em 1954
Taça Eficiência em 1957
Taça Imprensa em 1959
Vice Campeão Taça Brasil Sudeste em 1959
Taça José Leal em 1961
Taça Rubens Gomes em 1962
Vice Campeão Taça Brasil Sudeste em 1963
Vice Campeão Taça Brasil Sudeste em 1964
Troféu da Revolução 31 de Março em 1965
Torneio Triangular em 1965
Taça João Calmon 1968
Taça A Esportiva em 1968
Torneio Ministro Antônio Dias Leite em 1969
Taça 02 de Maio Bolívar de Abreu em 1969
Taça Cidade de Vitória em 1969
Troféu Arthur Del Caro Paiva em 1970
Taça Independência em 1972
Troféu Cidade de Vitória em 1972
Taça Amizade - CEUB em 1974
Troféu Setembrino Pelissari em 1975
Troféu ACEC em 1975
Taça 31 de Março em 1975
Taça Élcio Álvares em 1975
Troféu Governador do Estado em 1975
Troféu Sérgio Monteiro em 1975
Torneio de Verão em 1975
Troféu da Amizade em 1975
Troféu Clóvis Mendonça em 1975
Taça Mozart Di Giorggio em 1976
Torneio Incentivo em 1977
Torneio Incentivo em 1978
Taça Kléber Andrade em 1978
Troféu José Miguel Feu Rosa em 1981
Taça Cidade de Colatina em 1982
Taça Cidade de Ibiraçu e Taça Cidade de Vitória em 1983

 
Histórico

Fundação

O Rio Branco foi fundado em 21 de Junho de 1913 e sua história se confunde com a história de tantos outros clubes criados nos primeiros anos do Século XX.

Segundo Antônio Miguez, um dos fundadores do Rio Branco, em entrevista ao excelente jornalista Oscar Gomes Filho, autor da mais importante obra já publicada sobre um clube de futebol no Espírito Santo - "Rio Branco Atlético Clube - Histórias e Conquistas (1913-1987)", base deste relato, a história do Rio Branco se inicia em Maio de 1913. Das "peladas" e "rachas" em campos de áreas descobertas, os meninos dos Sul América e do XV de Novembro (equipes ligadas a instituições de ensino tradicionais da época, Colégio Estadual e Escola Normal) já se divertiam com o futebol e os dois outros times já pensavam em competições, o Rui Barbosa (que teve vida efêmera) e o Victoria Foot-Ball Club, fundado por meninos brancos e ricos.

Mas os pobres também gostavam dos "rachas". Entre eles, José Batista Pavão e Antônio Miguez, até então balconistas em uma casa de ferragens. Os dois, em uma das muitas conversas sobre futebol, em conjunto com Edmundo Martins, também balconista, decidiram fundar um time.

No segundo domingo de Junho marcaram uma nova reunião e trouxeram vários convidados. O primeiro a aceitar o convite foi Nestor Ferreira Lima, que apesar de estudar no Colégio Estadual, não jogava no Sul América. Os meninos presentes, todos entre 14 e 16 anos, trocaram idéias e discutiram sobre tudo, da bola inglesa aos gorros. Nova reunião foi marcada, desta vez para a fundação do clube. A reunião foi marcada para o dia 21 de Junho de 1913 e os convidados deveriam levar uma sugestão de nome para o novo clube.

E chegou o dia. Todos presentes com suas melhores roupas. As sugestões de nomes foram variadas, desde nomes de personalidades da História do Brasil e datas comemorativas. Também várias sugestões de nomes de heróis portugueses, mas os mais populares já davam nomes a clubes existentes em Vitória (Saldanha da Gama e Álvares Cabral). Interessante notar que foi assim em vários locais do país.

As alternativas foram se escasseando, quando um dos jovens, que Antônio Miguez não se recorda, sugeriu uma homenagem aos próprios jovens que o idealizaram, jovens e vigorosos. Surgiu o "Juventude e Vigor".

A importante reunião aconteceu na casa de Nestor Ferreira Filho, na Rua Sete de Setembro, mais precisamente num cômodo cedido pelo pai deste, junto ao seu escritório de contabilidade. Entraram para a história do "mais querido" do Estado os fundadores Edmundo Martins, Antônio Miguez, Gervázio Pimentel, José Fiel, José Batista Pavão, Cláudio Daumas, Otávio Alves de Araújo, Hermenegildo Conde, Adriano Macedo, Antônio Gonçalves de Souza e Nestor Ferreira Filho, que seria seu primeiro presidente.


A Troca de Nome: de Juventude e Vigor para Rio Branco

Um pouco depois de sua fundação, alguns de seus fundadores, convidados pelos joves de 14 a 16 anos, não se sentiram bem com a denominação, pois não eram mais adolescentes e lembraram que os demais fundadores também deixariam de sê-los. Neste período, o Juventude e Vigor também 'amadureceu', com a adesão dos jogadores do Rui Barbosa.

Pedido feito e aceito. A decisão, em uma reunião realizada em 10 de Fevereiro de 1914, foi rápida e uma afirmação com referência aos acontecimentos que marcavam a história republicana daquele tempo: homenagear o Chanceler José Maria da Silva Paranhos Júnior, conhecido como o Barão de Rio Branco. Saía de cena o nome "Juventude e Vigor" e surgia o RIO BRANCO FOOTBALL CLUB.


A Troca de Cores: de Auri-verde para Alvi-negro

A mudança de nome não atingiu as cores verde e amarela da bandeira do clube e do uniforme do time. Segundo o jornalista Oscar Gomes Filho, tudo leva a crer que a decisão de mundaça de cores ocorreu em uma reunião realizada em 20 de Maio de 1917. Segundo o ex-presidente Luiz Gabeira, "o verde e o amarelo desbotavam muito, eram cores ingratas". O problema com cores não era exclusivo do Rio Branco. O Clube de Regatas Flamengo, que outrora defendia as cores azul e amarela, também decidiu modificar suas cores para vermelho e preto. E, pelo país afora, casos semelhantes se repetiram.

Na hora de escolherem a nova cor, Giberto Paixão, que aderira ao clube em companhia da maioria dos 'ex-jogadores' do Sul América, fez a sugestão aos companheiros: "Vamos colocar o preto e branco, que pegam muito bem, como era na camisa do Sul América". Querido pela educação que tratava a todos e admirado e respeitado pelas qualidades técnicas que faziam dele o melhor jogador do time e de Vitória, Paixão teve a idéia aclamada pelos companheiros. O clube adotava, assim, as cores que, para alegria de Paixão, eram não apenas do extinto Sul América, mas também do Botafogo, do Rio de Janeiro, clube pelo qual outros meninos torciam (o clube carioca, por sua vez, adotara o preto e branco, em sua fundação, numa imitação ao Juventus da Itália).


Estádio: conquista árdua e demorada

É comum dizerem que o Rio Branco nasceu em Jucutuquara, mas o correto é que o Rio Branco cresceu em Jucutuquara. A sua fundação ocorreu no Centro de Vitória, especificamente na Rua Sete de Setembro. Mas, certamente, o clube teve toda a sua vida ligada a Jucutuquara.

No início, as partidas do clube eram disputadas em campos existentes em áreas descobertas, usando bolas de meia ou enchendo bexigas de boi. Em Jucutuquara, havia uma grande área usada para represamento das águas da maré, que, na secagem, produzia sal. Era a 'salina". Abandonada por longo tempo, transformou-se em um terreno reto, sem gramas, mas excelente para as 'peladas'. Mas, o local era utilizado pelos meninos do bairro.

Com poucas, ou quase nenhuma opção, os meninos do Juventude e Vigor foram parar no Bairro de Lourdes, em área utilizada pelo 'Tiro de Guerra", do Exército Brasileiro. A utilização durou pouco. A turma do Victória fez valer seu prestígio, recorrendo ao Barão de Monjardim. O Barão não só impediu a utilização da área pelo Juventude e Vigor, como ainda cedeu o terreno para o Victória.

O clube passou então a treinar em Vila Velha, em área então pertencente a família Araújo, identificado como campo do Bom Retiro (local identificado, na década de 90, como vizinha à Maternidade). Mas, logo após, ainda em 1916, segundo Antônio Miguez, o Juventude e Vigor decidiu ocupar, efetivamente, o campo de Jucutuquara. Foi necessário realizar um aterro, trabalho facilitado em face da localização do terreno, ao pé do morro (um aterro 'natural', com deslocamento de terra do morro). Arrancaram 'tocos', aterraram e a 'salina' ficou maior.

Foi erguido, no local, o campo de jogo, separado dos torcedores por uma cerca de arame liso. A área ainda não agradava aos fundadores. Afinal, o Victória já tinha um campo, cercado com folhas de zinco e local para torcedores (degraus de madeira cobertos, batizados de 'arquibancadas'). O Rio Branco precisava melhorar suas instalações, não podia admitir aquela situação.

O jornal "Diário da Manhã", em sua edição de 28 de Setembro de 1915, anunciava que o então presidente, Otávio Araújo, apresentara a planta do esplêndido campo de 'sports' que seria, depois de pronto, um dos melhores do Brasil. Esta informação também foi matéria de outro periódico, o "O Curioso", datado de 12 de Setembro.

Assim, com o esforço dos 'meninos', o Rio Branco inaugurou em 1919 o "Estádio de Zinco", que a imprensa da época chamava, orgulhosamente, de "O Majestoso Ground de Jucutuquara". A inauguração foi contra o Fluminense, de Niterói, na época um dos grandes clubes do Rio de Janeiro e reforçado de vários atletas do tricolor Fluminense e de outros times do Rio. A partida de inauguração terminou empatada em 2 x 2.

O Estádio de Zinco era um marco. Todos os times do Estado queriam jogar naquele 'campo'. Em 1929, a equipe do Flamengo, já uma equipe grande e popular em todo o país se apresentou no Estádio. E o Rio Branco não perdoou, vitória de 2 x 1 para os capa-pretas.

Mesmo ocupando a área desde 1916, o Rio Branco não era o legítimo possuidor da mesma. A área ficava sob a administração da Liga de Esportes. Somente em 1934, depois de vencer uma batalha contra dirigentes do Victoria, que quase conseguiram que o Estado lhes doasse a área, o então Presidente Carlos Marciano de Medeiros, o Capitão Carlito Medeiros, conseguiu que o Interventor Federal do Estado, Capitão João Punaro Bley, realizasse a doação ao Rio Branco, por meio do Decreto 4.969, publicado no Diário Oficial em 24 de Junho de 1934.

O Rio Branco cresceu. O time alvinegro já se tornara um patrimônio do Espírito Santo e o Estádio de Zinco estava pequeno e obsoleto. Os dirigentes rio-branquenses não se omitiram, tomando a responsabilidade de construir o novo Estádio. Partiu-se para a construção do Estádio Governador Bley.



Ao ser inaugurado, em 30 de Maio de 1936, o Estádio Governador Bley era o 3º maior do país, símbolo da grandeza do clube, do desenvolvimento de Vitória e um orgulho para o povo capixaba (à época, apenas dois estádios o superavam, São Januário, do Vasco da Gama, e o Estádio da Laranjeiras, do Fluminense, ambos no Rio de Janeiro, então a Capital Federal). No dia seguinte, 31 de Maio de 1936, a torcida capa-preta lotou todas as dependências para assisitr a primeira partida no local, entre Rio Branco e a forte equipe do Fluminense. Desta vez, não deu para o Brancão, o Fluminense ganhou por 2 x 0.

Mas, com a construção do Estádio, o clube entrou em sérias dificuldades financeiras. Com as contratações de jogadores de outros Estados, e seus altos salários, o Rio Branco ganhava quase tudo, diminuia o interesse das torcidas, tamanha a superioridade do clube, ocasionando rendas menores e aprofundamento da crise. As dívidas foram se tornando insolúveis.

E o Decreto de doação deixava explícito: "... se o clube ficar em condições de não solver os compromissos contraídos para a construção do Estádio, o terreno e as benfeitorias nele existentes deverão reverter à propriedade do Estado, que a seu turno, responderá por todos os débitos existentes". A situação complicou ainda mais em 1937, quando o Presidente Carlito Medeiros rompeu com a 'situação' governista local.

Em Março de 1939, foi anunciado o fechamento do Estádio. Em 22 de Abril de 1939, o Estádio reabriu e, a partir de então, também era a sede oficial do Serviço de Educação Física do Governo do Espírito Santo. O Rio Branco perdia o domínio da praça esportiva de Jucutuquara, que administrada pelo Estado, serviria a todos os clubes.

Uma curiosidade é que o Estado, conforme previa o Decreto, não honrou as dívidas com os colaboradores riobranquenses. Segundo Oscar Fomes Fiilho, apenas alguns dirigentes ligados ao Victória é que receberam seus créditos.

O clube afundado em dívidas e sem Estádio praticamente acabou. Em 23 de Dezembro de 1939, sob o comando de Laonte de Lima Soares, vários dirigentes se reuniram e fundaram o Riobranquinho Futebol Clube. O nome era diminutivo, mas a chama de idealismo de seus dirigentes, na conservação de sua tradição, era a mesma dos meninos fundadores do Juventude e Vigor. Mantiveram-se unidos, juntos, encobertos pelas cores preta e branca da gloriosa camisa do Rio Branco Football Club.

Ressaltando que já havia sido constituído um Riobranquinho, no início da década de 30, mas era informal e simbólico. Os atletas usavam esta denominação para jogos nas férias e em finais de temporadas, atuando e difundindo o nome do clube nos bairros de Vitória e no interior. Atuando sempre que o Rio Branco Football Club estivesse inativo, sem jogos promovidos pela Liga.

Em 08 de Março de 1941, foi eleito Presidente Luiz Gabeira, um riobranquense das primeiras horas, que ja fora Presidente do clube em 1930. Cumpridas as exigências legais para funcionar por breve período como Riobranquinho, restabelecida a normalidade administrativa e mantendo o time vitorioso, como fora desde a sua fundação, os dirigentes alvinegros realizaram um Assembléia Geral em 18 de Março de 1941, para deliberar sobre a criação de uma nova agremiação. Tendo como lema a frase "Tudo em benefício do Rio Branco", criaram o RIO BRANCO ATLÉTICO CLUBE. A partir daquele momento, o clube teria, no escudo, a sigla RBAC, de memoráveis conquistas.

Apenas em 27 de Março de 1958 é que o Estádio Governador Bley voltou para o Rio Branco. A retomada do Estádio, um desejo de todos os presidentes que passaram pelo clube, teve seus capítulos finais em 1954, quando alguns deputados apresentaram Projeto de Lei autorizando o Governo a doar ao clube CR$ 300.000,00 para a construção de um Estádio no Bairro da Bomba (não foi encontrado registros de quando o Rio Branco adquiriu este terreno). O autor do projeto era o deputado Luiz de Lima Freitas, ex-presidente do clube, e contou com o forte apoio de José Buaiz, Dirceu Cardoso e Jefferson de Aguiar.

Em 1958, o deputado Jose Buaiz apresentou projeto prevendo a retomada do Estádio Governador Bley. O projeto de lei, relatado pelo então deputado Cristiano Dias Lopes Filho, teve aprovação unânime na Assembléia. O projeto previa que para a devolução do Estádio, o Governo do Estado deveria ser ressarcido de todos os valores que pagara aos credores do clube. O Governador da época, Francisco Lacerda de Aguiar, sancionou a Lei 1.402, em 27 de Março de 1958.

Apenas em 1960, mais precisamente no dia 21 de Novembro, tendo o Rio Branco dado como pagamento das dívidas quitadas pelo Estado o terreno da Bomba (onde hoje se situa a Rádio Espírito Santo, na avenida Reta da Penha, em frente à EMESCAM), o Estádio Governador Bley voltou a ser propriedade do Rio Branco. O valor da transação alcançou a soma de CR$ 1.800.000,00.

Em 1972, já sob a Presidência de Kleber Andrade, houve a decisão de venda Estádio Governador Bley. O Estádio foi utilizado, em partidas oficiais do clube, até o ano de 1974. Durante o período compreendido entre 1974 e 1983, data de inauguração do Estádio Kleber Andrade (cujo nome homenageia o ex-presidente, cujo falecimento ocorreu em 12 de Julho de 1978, em um fatídico acidente automobilístico), o Rio Branco mandava seus jogos no Estádio Engenheiro Araripe, até então de propriedade da Companhia Vale do Rio Doce, mantenedora da Associação Desportiva Ferroviária Vale do Rio Doce.

O Estádio Kleber Andrade, foto abaixo, é mais uma prova do empreendedorismo dos dirigentes do clube, tendo sido inaugurado em 1983. A primeira partida oficial no novo Estádio do Rio Branco, que ao término de suas obras, seria o terceiro maior Estádio particular do país (perdendo apenas para o Morumbi e para o Beira-Rio), ocorreu em 07 de Setembro de 1983, em uma partida que o capa-preta venceu o Guarapari por 3 x 2 (três gols de Arildo Ratão).



Infelizmente, o período de utilização do Estádio Kleber Andrade coincidiu com um período de muitas dificuldades financeiras e administrativas do clube, algumas causadas inclusive pelos elevados investimentos realizados nesta Praça Esportiva. Desde a sua inauguração, o clube conquistou apenas dois títulos estaduais da 1ª divisão (1983 e 1985), entrou em colapso financeiro, desistiu de participar de um campeonato oficial, voltou em 2005, e seguindo as normas vigentes da atual legislação esportiva, voltou disputando a 2ª divisão, cujo título conquistou (utilizando a equipe e comissão técnica emprestadas pelo Vilavelhense).

O elevado passivo fiscal, trabalhista e cível levou a uma situação irreversível. A antiga sede administrativa e social, localizada na Ilha de Santa Maria, foi desapropriada pelo Governo do Estado no ano de 2003. O clube ainda luta na Justiça para reaver o direito aos valores referentes a area, tendo em vista um processo de permuta ilegal e imoral promovido pelos Dirigentes da época. Em 2008, visando concluir as obras e dotar o Espírito Santo de uma moderna arena esportiva, o Governo do Estado também desapropriou o Estádio Kleber Andrade (pelo valor de R$ 6.800.000,00), com os recursos ficando bloqueados para o pagamento das dívidas do clube. As negociações para pagamento das dívidas estão em curso e, no final de 2009, restavam poucos processos a serem solucionados.


O Maior Patrimônio

Depois uma série de administrações que não conseguiram resolver completamente os problemas do clube, restou ao Rio Branco, como patrimônio físico, uma área de aproximadamente 60.000m² localizada em Portal de Jacaraípe (Serra - ES). E, obviamente, o clube não perdeu o seu maior patrimônio: a sua imensa e apaixonada torcida, a TORCIDA CAPA-PRETA.

 


ESPAÇO DO TORCEDOR

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Local: Salvador Costa
Data: 04/09/2010 - Sábado - 15h

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Data: 29/08/2010 - Domingo - 10h